Trovas e Causos

 

Causos do Astolfino

Cumpade Dário, com as compras já no arreio,
amarrou seu cavalo no poste, entrou na farmácia e foi logo pedindo no balcão:

- Ô moça, me dá aí um cloridrato de metoclopramide

E a moça atendente:

- Ah! Sei... O senhor tá querendo um Plasil, né?

E ele respondeu:

- É isso mesmo! Eu num sei é falar esta palavra que a senhora falô aí? 

 

Dia do Trovador

Dia 18 de julho comemora-se o dia do trovador.

Amor - sentimento forte,

Palavra odiada e querida

Se é causa de tanta morte

É a própria razão da vida.

(Luiz Otávio)

 

Oh! Linda trova perfeita

Que nos dá tanto prazer!

-Tão fácil depois de feita...

-Tão difícil de fazer...

(Adelmar Tavares)

 

Naqueles tempos de antanho,

De escribas e fariseus,

Um Homem do meu tamanho

Tinha o tamanho de Deus!

( Durval Mendonça)

 

Linda, meiga e pequenina,

Um retrato da ternura.

Com teu jeito de menina

És um amor de criatura.

(Joel Serrão-Sabará-MG)

Você que é poeta, gosta de escrever versos, seja também um Trovador. Procure pelo Gute Defilippo, Delegado da União Brasileira dos Trovadores em Astolfo Dutra,

 

Concurso Causos do Linhares

Vou resumir uma história do nosso Linhares, ali
ás do nosso Armazém do Linhares. E saibam que escrevendo estas lembranças eu estou voltando à minha infância, quando eu tinha seis ou sete anos mais ou menos. Naquele tempo, eu sempre ia levar as cinco marmitas de almoço pra meu pai e meus irmãos no trabalho onde tiravam o pão de cada dia. E meu pai me dava uns trocados e dizia:

- Filha, vê se dá pra comprar ½ kg de arroz e ½ kg de feijão pra "janta". Se não der para as duas coisas, você compra só o feijão, porque o feijão pelo menos dá pra comer com angu.

Então eu ia pra escola e na volta, eu vinha triste, de cabeça baixa, pedindo a Deus que o dinheiro desse pra comprar tudo. Aí eu entrava na venda do "Sô Nelinho" e, como o balcão era alto, eu ficava na ponta dos pés pra ver quem ia me atender. E estavam lá o nosso saudoso Geraldinho e o Ari. E lá no outro balcão à esquerda tinha sempre um velhinho todo respeitoso que se chamava "Senhor Nelinho". E ele, logo que me via, fazia um sinal para que eu fosse até ele. A primeira coisa que fazia quando eu chegava toda vergonhosa, de cabeça baixa, era enfiar a mão no bolso e tirar uma bala de hortelã pra me dar, dizendo:

-Toma, Branquinha, pra adoçar a boca de uma florzinha!

E carinhosamente me perguntava o que eu queria, com aqueles "olhinhos tão tristes". Eu dizia, que so o dinheiro desse, eu queria meio quilo de arroz quebradinho e meio quilo de feijão cascudo, tudo do mais barato. Ele me pedia para esperar e ia na barrica e enchia um saquinho de 2 kg de arroz inteiro (que eu só via quando chegava em casa) e 1 kg do feijão do bom. Quando eu via aqueles pacotes grandes, sempre dizia:

- Mas eu não tenho dinheiro pra pagar isso tudo, não senhor.

E ele respondia:

- Se você não paga, Deus me paga, Branquinha!

E quando eu chegava em casa, muitas vezes minha mãe quis até me bater, achando que eu estava mentindo, que eu havia feito alguma coisa de errado. Eu não achava nada de errado naquilo e muitas vezes, quando ele não me via, eu pedia pra ir ao banheiro, que era lá nos fundos e se tivesse algum saco de feijão ou café em grão furado, eu ia lá no meu saudoso velhinho e perguntava se podia apanhar aqueles grãos pra mim. E então ele fazia o de sempre, enchendo um saquinho de arroz, outro de feijão e me dando a minha balinha de hortelã, dizendo:

- Toma, Branquinha, pra adoçar a boca de uma florzinha!

Então eu saía dali com a maior alegria, com a boquinha doce e rindo à tôa, porque naquele dia eu e meus irmãos íamos dormir com a barriguinha cheia.

Olha, eu não sei quanto tempo durou isso. Nem quantas vezes isso aconteceu. Mas hoje eu tenho 48 anos e agradeço a Deus e até hoje rezo pela alma daquele bom velhinho e peço para que o Linhares, que hoje é o maior supermercado da cidade, onde , graças a Deus, posso comprar e pagar minhas compras todo mês, continue sempre progredindo, hoje nas mãos de um filho e netos do Sr. Nelinho. E sempre que estou lá, empurrando o carrinho cheio de mantimentos, sem querer procuro pelo bom velhinho. Ele já não está lá pra me dar uma balinha, mas com certeza, as que ele me deu foram as mais docinhas da minha vida!