J. Loures

 A Estrela Solitária

Os adversários do PT não escondem a alegria com que acompanham o calvário petista, causado pelas acusações de corrupção, compra de parlamentares e propinas. Quem são estes idiotas? Pseudo-analistas da crise que vivemos, preferem eliminar como supérfluos os nexos causais que ligam a corrupção atual à corrupção em governos anteriores. "Acreditam" e querem nos fazer acreditar que mensalões e malas de dinheiro vivo são fenômenos ligados ao petismo e dão vez e voz a cadáveres ilustres ou a analistas ressentidos e rancorosos, preconceituosos na sua verborragia odiosa contra Lula. Mercadores da ilusão, vaticinam para a platéia a sua verve ladina e se intitulam como majestosos, recalcados numa falsa e frágil ética política.

A corrupção política, infelizmente, tem raízes históricas. Herdamos dos tempos coloniais vícios insanáveis que vêm minando as instituições nacionais. Está na moda falar-se em virtude republicana. Virtude esta que está acima de qualquer partido, simplesmente porque todos eles contêm elementos nefandos, cujo vocabulário não contém aquela palavra. Um bom exemplo disso é que já aparece nos jornais a notícia de que o publicitário Marcos Valério denuncia operações feitas também com o PSDB e PMDB, desde o governo passado.

São inaceitáveis as ofensas ao presidente Lula. Ataca-se de forma indecente a Presidência da República, no desespero pela alta popularidade do presidente. Apesar de toda a lama chafurdada por alguns petistas, o presidente Lula mantém a sua credibilidade junto ao povo brasileiro, que está sabendo dissociar a sua imagem das mazelas que denigrem o seu partido.

Finalmente nos parece que a oposição ao governo resolveu assumir o que já se supunha: a movimentação golpista da elite de extrema-direita. De que outra forma podemos avaliar os discursos casuístas, principalmente do PSDB? Partido esse, aliás, que não se pode proclamar impoluto. Chamar o presidente da República de burro ou corrupto não contribui em nada para a democracia, tão propalada e supostamente defendida no Congresso Nacional. Diante das irregularidades apontadas, é normal a revolta pelos acontecimentos ocorridos nos últimos meses envolvendo o PT, porém, chama a atenção de modo especial a indignação da hoje oposição, que parece ter memória seletiva, esquecendo-se dos escândalos dos bancos FonteCindam e Marka, Banestado, privatização das teles e do sistema elétrico, reeleição comprada.

Entretanto, a oposição, leia-se PSDB paulista, não quer o impeachment ou a renúncia de Lula. Por uma questão muito simples: acontecendo uma ou outra situação, em que Lula não termine o seu mandato, quem assumirá o governo é o vice, José Alencar. Este, tem um bom relacionamento com o empresariado brasileiro e com certeza terá o apoio do também mineiro, governador Aécio Neves. Conseguindo então um desempenho notável frente à Presidência da República, sua reeleição em 2006 ficaria factível. Para 2010, entraria em cena o Aécio Neves, apoiado por José Alencar. Obtendo triunfo, teria o direito à reeleição em 2014, ou seja, somente a partir daí é que a tucanada paulista teria o vislumbre de voltar ao poder. Portanto, a estratégia leviana do PSDB é afastar possíveis candidatos potenciais e levar um Lula combalido para a eleição de 2006.

A crise está instalada e inúmeras pessoas são responsáveis por isso. Traidores de uma causa, e ainda assim aparecem aqueles que procuram um espaço buscando holofotes. Figurões como José Genuíno, José Dirceu, ao que tudo indica, sabiam do esquema financeiro e não deixavam chegar a Lula tal informação, atuando Zé Dirceu como uma redoma, isolando o presidente de todas as falcatruas perpetradas por alguns do partido PT.

O que me faz crer que Lula realmente estava alheio à organização criminosa montada no PT é que todos, todos os denunciantes e envolvidos fazem questão de deixá-lo livre de qualquer implicação. Corroborando com este raciocínio, pesquisas de opinião apontam que quase 60% do povo confia na lisura e honestidade do nosso presidente. Cabe aos brasileiros determinar quem será o próximo presidente e não a oposição. Lula é uma estrela que, apesar de solitária, ainda brilha.

J. Loures [email protected]