| Angelita Marchi - Advogada |
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Sim, sou "antiga" Uma prima querida, no auge dos seus dezessete anos, admirou o fato de eu ler um livro impresso quando posso fazê-lo virtualmente e, com isto, chamou-me de "antiga". Instantaneamente lembrei-me da famosa citação de Karl Valentin: "Antigamente, também o futuro era melhor". Qual o futuro do livro numa geração tão acomodadamente virtual? Não nego o valor da tecnologia: Da anestesia a todos os acessórios que começam com a letra "i". Cada um tem seu valor e revolucionaram a sociedade. Mas minha proposta aqui é pensar o livro a partir de sua dignidade. Qualquer livro, todos os livros, um livro. O que importa para o (futuro) deles é a monopolização, o poder econômico, o risco de privatização de seus benefícios. André Comte-Sponville disse que "A vida é curta demais para contentar-se com palavras. E difícil demais, porém, para dispensá-las". Ainda citando Valentin: "Tudo já foi dito; mas não por todo mundo". Ou, como disse o sábio de Eclesiastes (Ec 12.12): "Não há limite para fazer livros". Livros são indispensáveis. Mas qual o futuro deles, pergunto novamente? Será que vamos levantar um "Túmulo ao Soldado Desconhecido"? A quem não conhece a famosa expressão, trata-se de dar nome aos monumentos que as nações levantaram para homenagearem seus soldados, mortos nas guerras sem que seus corpos tenham sido identificados. É um túmulo simbólico. No Brasil, o "Túmulo ao Soldado Desconhecido" está no Rio de Janeiro, no Monumento Nacional aos Mortos da Segunda Guerra Mundial. No caso dos livros não estamos falando de desconhecidos. Livros são publicados, e assim, perdem seu anonimato. Porém, todos os dias são construídos novos "túmulos" em sua homenagem. Basta um clique, um assessório que comece com a letra "i", o passar da ponta do dedo numa tela e, pronto. O futuro era melhor quando era antigamente. Quando tecnologia revolucionária era apenas o lançamento rápido de um livro, uma edição com tiragem maior, novas possibilidades financeiras para se ler um clássico. Sim, sou antiga. Ainda gosto do prazer de parar numa estante, escolher um livro, passar suas páginas, procurar um marcador de página (para o famoso ‘não dobre para não dar orelha’). Este é um ritual imprescindível para tornar a leitura ainda mais fascinante e prazerosa. E que pena, um prazer reservados apenas aos "leitores antigos". O mesmo prazer de escolher um livro usado num sebo (mas disto, falo numa outra oportunidade). Vida longa aos livros!!! |
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