Astolfo O. de Oliveira Filho - Londrina/PR email: aoofilho@gmail.com

A doação de órgãos e o Espiritismo

Muitas pessoas nos perguntam qual é o posicionamento espírita no tocante à doação de órgãos. Com a pergunta, dizem-nos terem ouvido no meio espírita comentários tanto a favor como contra. Afinal, quem está certo?

É bom explicar, inicialmente, que os principais livros espíritas de autoria de Allan Kardec não trataram do tema doação de órgãos, uma prática impensável em sua época.

Os autores espíritas posteriores a Kardec, porém, tanto os encarnados quanto os desencarnados, jamais se manifestaram contra a doação de órgãos para fins de transplante.

É verdade que, quando surgiram na Terra os primeiros casos de transplante de coração, houve quem entendesse que doar um órgão poderia constituir um erro, porque, ao fazê-lo, a pessoa estaria interferindo indevidamente no curso de uma prova que o beneficiário da doação teria de enfrentar.

Essa ideia, absolutamente equivocada, não perdurou muito tempo. Chico Xavier, por exemplo, respondendo a uma pergunta que lhe foi feita na época, afirmou peremptoriamente que devemos, sim, doar os órgãos prestantes a quem deles necessita, do mesmo modo que doamos uma roupa usada, um calçado, um objeto qualquer a uma pessoa carente.

Dr. Jorge Andréa, conhecido autor e médico espírita, também se posicionou na ocasião afirmando que os transplantes tinham vindo para ficar e que nenhuma religião tem o direito de opor obstáculo às conquistas da Ciência, sobretudo quando essas conquistas prolongam a vida e ampliam as possibilidades de progresso da criatura humana.

Devemos ser, e certamente o somos, contrários, sim, às práticas que levam à morte – como o aborto e a eutanásia, em todas as suas formas. Mas jamais poderíamos, em nome do Espiritismo, desaprovar as práticas que valorizam a vida, como o é a doação de órgãos, cientes da importância que o processo reencarnatório tem na vida de todos nós.