Editorial (Cézar A. Defilippo)

Quem quer comprar o Soccer City? 

Está à venda! Depois da Copa na África do Sul 2010, quem quer comprar o estádio reformado para a disputa final do maior evento futebolístico do mundo? O valor das reformas: US$ trezentos e cinquenta milhões . É o lance mínimo!

O maior elefante branco já visto pelas savanas, está à venda pelo preço de custo, e o valor será revertido para custeio no combate à fome e à AIDS que assolam os  países pobres daquele continente.

Quem, durante as transmissões, mostrou o lado negro da sociedade que é considerada o berço da humanidade? Quem nunca viu ou recebeu pela internet uma foto de uma africana, mãe negra, esquelética, tentando amamentar o filho semimorto por uma pele murcha que se estende de nossos olhos à Etiópia?

Afinal, qual a missão da copa da África? Chamar mais ainda a atenção para o continente?  Já dizia Nelson Mandela: Ainda há gente que não sabe, quando se levanta, de onde virá a próxima refeição e há crianças com fome que choram”.

O mundo ama futebol, mas os excessos assustam pelas exigências, arrogância, prepotência, luxo e as vaidades da cúpula da FIFA. Não que tenhamos de voltar ao tempo em que os atletas não podiam trocar camisas em campo porque não se tinha duas.

Mas, que a injustiça social não se sobreponha ao ser humano através da omissão e os países  anfitriões não escondam seu lixo debaixo do tapete.