Antigamente as pessoas chegavam em seus
cavalos, deixavam amarrados perto da venda e seu Zé do Oscar
guardava as esporas, as peixeiras e as garruchas. Naquela época não
havia tanta violência como hoje, embora muitos andavam armados.
Na venda havia uma talha com água
fresca e uma pia, onde matavam a sede e se ajeitavam antes de ir
para o centro da cidade. Muitos compravam extrato Dirce e óleo
Glostora para se perfumarem. Moradores da Serra da Prata usavam o
endereço da venda para receber cartas. Muitas vezes Seu Zé escrevia
as cartas ou as lia para as pessoas analfabetas. Aos domingos de
jogo, o pessoal do E.C. Portuense ia à casa do seu Zé para comprar
cal, para marcar o campo.
Diálogos na Venda do Zé do Oscar
- Seu Zé, o senhor tem pente pra homem de chifre?
Naquela época era famoso o pente feito de chifre de boi.
- Seu Zé, essa fechadura é boa mesmo?
- É muito boa, dura até
acabar
- Ah, então vou levar uma.
- Seu Zé, tem panela de
ferro ?
- Tenho
- Quanto custa ?
- 5 cruzeiros o quilo
- Então me vende 300 gramas.
(a panela era vendida a quilo)