Causos do Astolfino
Uma ocasião, estava lá o famoso "Lamparina", negão trabaiadô, pendurado na torre da antiga igreja na praça da matriz de Santo Antônio, fazendo reparos e pinturas.

Amarrado e pendurado por cordas, pincel numa mão, lata de tinta na outra, o corajoso
Lamparina espiava o povo miudinho lá das grimpinhas da torre central. No meio do povo, na esquina da farmácia do Héber, tava um fazendeiro a cavalo, olhando pra cima, imóvel, boquiaberto e concentradíssimo, admirando por longo tempo o equilibrismo e a coragem do Lamparina na torre central. Ao perceber o fazendeiro inerte, acomodado no arreio do cavalo, Lamparina
resolveu aprontar uma das suas:

Repentinamente, de propósito, simulando um desequilíbrio, deu um galeio no corpo lá em cima... e o fazendeiro lá em baixo caiu do cavalo!
Trovas

Lembro o sertão, seu encanto,

a lua cheia tão minha;

sem nada eu ter, tinha tanto,

naquele nada que eu tinha!

                  Campos Sales-SP

 

Entre os véus da noite, imerso,

insone em meu travesseiro,

escrevo apenas um verso

e a saudade... um livro inteiro!

               Maria Lúcia Daloce-SP 

 

Pobres racistas, insanos,

é a insensatez que os impele

a julgar seres humanos

a partir da cor da pele!...

              Darly O. Barros – SP

Dicas de Almanaque

O "Bicho" nasceu no Zoológico

Em 1893, o barão João Batista Viana de Drummond, dono do Jardim Zoológico do Rio de Janeiro, não aguentava mais sustentar seus animais. Desesperado, recorreu à sugestão de um mexicano, Manuel Ismael Zevada, que imaginou um artifício para atrair mais visitantes. Quem fosse ao zoológico pagava 1.000 réis pelo ingresso; se o desenho do animal impresso no bilhete coincidisse com o do bicho exibido num quadro horas depois, o dono ganhava um prêmio de 20.000 réis. Não deu outra: as pessoas iam ao zoológico não pelos animais, mas para arriscar a sorte. Assim nasceu o jogo do bicho.

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