Angelita Marchi - Advogada

Para onde caminha a humanidade?

Ninguém vai querer viver sem utopias. Esta foi a confissão de Russel Jacoby, professor de história e educação da Universidade da Califórnia. Em uma entrevista ao Jornal do Brasil ele respondeu: "Penso que é importante manter-se compromissado com a idéia de que o futuro pode ser melhor e diferente. Abandonar isso acaba afetando a vida em todos os aspectos". 
Em meio a tantas catástrofes que o ser humano tem experimentado será possível ainda dizer: tem sempre alguma coisa de bom para acontecer ou, eu sei que vai melhorar?
Carregamos dentro de nós a esperança de um mundo novo e melhor. Cristãos, ateus, espíritas, pagãos, não importa. Este otimismo é tão antigo quanto é o próprio mundo. Karl Marx, que chamou a religião de "o ópio do povo", dizia que "a história caminha para a remissão do homem de todas as injustiças, mazelas e desigualdades".
A esperança é um sentimento presente no ser humano e inerente a ele. Independe da época, carregamos esta herança genética (ou histórica).
Um questionamento humano nos faz ter esperança. Como disse Millôr Fernandes: "o único animal que tem a frescura de querer saber de onde vem, para onde vai e o que é que é". Estas questões nos movem por meio de esperanças. Para Astora (presidente o Cead/RJ), "só existe um homem perdido: aquele que perdeu a esperança".
 Para onde caminha a humanidade é a pergunta que não cala. A cada tragédia, ou a cada situação amarga que experimentamos, individualmente ou coletivamente, nos questionamentos sobre isto. Caminhamos para nossa própria destruição? Nas palavras de Hobbes "o homem é o lobo do próprio homem". Por isto Deus, em sua sabedoria absoluta, ordenou "amarás ao teu próximo como a ti mesmo".
No clássico O Mágico de Oz, Doroty, para chegar ao seu objetivo precisa trilhar um caminho de tijolos amarelos. Ali ela encontra um Leão, um Espantalho e um Homem de Lata. Mesmo diferentes e com objetivos diferentes, eles precisam trilhar o mesmo caminho.
Para onde caminha a humanidade eu não sei, mas a cada instante, no meu pouco tempo de existência, aprendo que preciso encontrar o caminho de tijolos amarelos e dar a mão a pessoas parecidas e diferentes de mim para encontrar o caminho e vivenciar um novo céu e uma nova terra.